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Por Que a Ansiedade Causa Tontura e Visão Turva?

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Quando o corpo entra em alerta, a percepção do mundo também muda

Poucos sintomas assustam tanto uma pessoa ansiosa quanto a tontura e a visão turva.

O coração acelerado costuma ser reconhecido rapidamente como ansiedade. A falta de ar também. Mas quando a pessoa sente que o ambiente parece estranho, que a visão perde nitidez ou que surge uma sensação de desequilíbrio, o medo costuma aumentar muito.

É justamente nesse momento que muitas pessoas começam a acreditar que estão desenvolvendo uma doença neurológica, um problema grave no cérebro ou até correndo risco de desmaiar.

O curioso é que, na maioria dos casos, esses sintomas não indicam um problema estrutural no cérebro ou nos olhos.

Eles são consequências diretas de um sistema nervoso que entrou em estado de sobrevivência.

E para entender isso, precisamos compreender o que acontece quando a ansiedade assume o controle do organismo.

O cérebro ansioso muda a forma como o corpo distribui energia

Quando o cérebro detecta ameaça, ele ativa um mecanismo ancestral de sobrevivência conhecido como resposta de luta ou fuga.

Esse sistema foi criado para situações de perigo real.

Imagine um ser humano primitivo diante de um predador.

Naquele momento, o cérebro não precisava priorizar conforto, digestão ou relaxamento.

Ele precisava priorizar sobrevivência.

Por isso ocorre uma verdadeira reorganização interna.

A frequência cardíaca aumenta.
A respiração acelera.
Os músculos recebem mais sangue.
A atenção fica extremamente focada.
O cérebro entra em estado de hipervigilância.

Tudo isso acontece para aumentar as chances de sobrevivência.

O problema é que o cérebro ansioso ativa esse mesmo mecanismo mesmo quando o perigo é emocional, imaginado ou antecipado.

E é aí que começam muitos dos sintomas físicos.

A tontura muitas vezes nasce da forma como você está respirando

Uma das causas mais comuns de tontura relacionada à ansiedade não está no cérebro.

Está na respiração.

Quando uma pessoa fica ansiosa, ela tende a respirar de forma mais rápida, curta e superficial.

Muitas vezes nem percebe que está fazendo isso.

O resultado é uma alteração importante nos níveis de dióxido de carbono presentes no sangue.

Quando esses níveis caem excessivamente, o cérebro começa a receber sinais fisiológicos diferentes dos habituais.

Isso pode gerar:

  • sensação de cabeça leve;
  • instabilidade;
  • flutuação;
  • sensação de estar andando sobre algodão;
  • dificuldade de concentração;
  • percepção de que algo está estranho.

É uma sensação difícil de explicar porque não é exatamente uma tontura tradicional.

Muitos pacientes descrevem como:

“Parece que estou fora do eixo.”

“Parece que vou cair.”

“Parece que estou andando em um barco.”

Na maioria das vezes, porém, não existe risco real de desmaio.

Existe apenas um sistema nervoso extremamente ativado.

A visão turva é consequência da hipervigilância cerebral

Outro sintoma muito comum é a sensação de visão embaçada ou dificuldade para focar.

Isso acontece porque o cérebro ansioso altera constantemente a forma como processa informações sensoriais.

Em situações de sobrevivência, o organismo não está preocupado em apreciar detalhes do ambiente.

Ele está procurando ameaça.

Por isso a atenção visual muda.

A pessoa passa a monitorar tudo.

Movimentos.
Expressões.
Mudanças.
Perigos potenciais.

Essa hiperativação pode gerar sensação de dificuldade para focar objetos, visão menos nítida e até percepção de que o ambiente está estranho ou distante.

Muitas vezes os exames oftalmológicos são completamente normais.

O problema não está nos olhos.

Está na forma como o cérebro está interpretando as informações visuais naquele momento.

Quando a tontura gera medo, ela se transforma em um ciclo

Talvez a parte mais cruel desses sintomas seja que eles costumam alimentar a própria ansiedade.

Funciona assim:

A pessoa sente uma leve tontura.

Imediatamente surge o pensamento:

“Tem alguma coisa errada comigo.”

O cérebro interpreta esse pensamento como ameaça.

A ansiedade aumenta.

O corpo libera ainda mais adrenalina.

A respiração muda ainda mais.

A tontura aumenta.

O medo aumenta.

E o ciclo continua.

Em pouco tempo, a pessoa não está mais apenas sentindo tontura.

Ela está monitorando a tontura o tempo inteiro.

Cada pequena sensação corporal vira motivo de preocupação.

E quanto mais monitoramento existe, mais o cérebro permanece em estado de alerta.

É exatamente por isso que muitas pessoas relatam que os sintomas pioram quando começam a prestar atenção neles.

O papel da despersonalização e da desrealização

Em níveis mais elevados de ansiedade, algumas pessoas passam por experiências ainda mais assustadoras.

Elas podem sentir que o ambiente parece estranho, distante ou artificial.

Outras descrevem sensação de estarem desconectadas de si mesmas.

Na Ansiologia, entendemos que isso não significa que a pessoa esteja “ficando louca”.

Na verdade, trata-se de uma resposta extrema de proteção do sistema nervoso.

Quando a sobrecarga emocional ultrapassa determinados limites, o cérebro pode criar uma sensação de distanciamento da realidade como forma de reduzir o impacto emocional do momento.

Isso pode gerar:

  • sensação de sonho;
  • percepção de ambiente irreal;
  • visão subjetivamente alterada;
  • dificuldade de presença;
  • sensação de estar observando a própria vida de fora.

Embora sejam sintomas assustadores, eles costumam estar muito mais ligados à hiperativação ansiosa do que a doenças neurológicas graves.

Alguns Tipos Ansiosos costumam ser mais sensíveis a esses sintomas

Embora qualquer pessoa ansiosa possa apresentar tontura e visão turva, alguns perfis tendem a sofrer mais com esse tipo de manifestação.

O Analítico Obcecado frequentemente se torna extremamente atento às sensações corporais.

Ele não apenas sente os sintomas.

Ele os analisa.

Monitora.

Pesquisa.

Observa.

Compara.

Tenta encontrar explicações.

O problema é que esse excesso de monitoramento faz com que o cérebro amplifique ainda mais a percepção das sensações.

Já o Inseguro Evitador costuma apresentar elevada sensibilidade fisiológica ao estresse silencioso.

Muitas vezes ele acumula tensão por longos períodos sem expressá-la externamente.

O corpo acaba assumindo a função de comunicar aquilo que a emoção não está conseguindo expressar.

Nesses casos, sintomas como tontura, sensação de irrealidade e visão alterada podem aparecer com maior frequência.

O sintoma não é o problema — ele é uma mensagem do sistema nervoso

Uma das maiores mudanças que acontecem quando a pessoa compreende esses sintomas é perceber que eles não são necessariamente sinais de perigo.

Eles são sinais de ativação.

O cérebro está dizendo:

“Estou funcionando em modo de sobrevivência.”

Quanto mais a pessoa interpreta cada sintoma como ameaça, mais o sistema nervoso permanece preso nesse ciclo.

Por outro lado, quando ela entende o que está acontecendo, algo importante muda.

O medo diminui.

A vigilância diminui.

O corpo começa a recuperar equilíbrio.

Na visão da Ansiologia, a tontura e a visão turva não são apenas sintomas físicos isolados.

São sinais de um organismo que passou tempo demais tentando sobreviver.

E quando o cérebro emocional reaprende segurança, muitas dessas manifestações deixam de ser ameaças assustadoras e voltam a ser apenas aquilo que realmente são:

respostas temporárias de um sistema nervoso sobrecarregado.

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Vinícius Detoni

Terapeuta especialista em Ansiedade. Criador dos Tipos Ansiosos, Idealizador do Ansiograma e Fundador da Ansiologia.

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